


|
Insuficiência Cardíaca - Processo Inflamatório e Citocinas |
|
Nos últimos anos, diversos estudos demonstraram o papel significativo de processos inflamatórios no desenvolvimento de diversas doenças cardiovasculares, muitas delas anteriormente consideradas "degenerativas", como a aterosclerose e a estenose aórtica. De maneira similar, foi demonstrada a importância da inflamação no desenvolvimento e na progressão da cardiomiopatia dilatada e da síndrome da insuficiência cardíaca. A atividade pró-inflamatória foi identificada como peça importante tanto na progressão da insuficiência cardíaca como no agravamento da doença, refletindo, portanto, em pior prognóstico no seguimento desses pacientes. Pacientes com insuficiência cardíaca freqüentemente manifestam sinais compatíveis com doenças inflamatórias, como anorexia, anemia e caquexia. Marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa, encontram-se elevados em pacientes com insuficiência cardíaca. Essas observações e a descoberta de que a caquexia de pacientes com câncer é mediada por citocinas levaram a investigações do papel dessas substâncias em pacientes com insuficiência cardíaca. Em 1990, Levine e colaboradores relataram, pela primeira vez, o achado de concentrações elevadas de fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa) em pacientes com insuficiência cardíaca e caquexia. Nesse contexto, na prática clínica, costumeiramente identificamos o emagrecimento progressivo e a anorexia em portadores de insuficiência cardíaca em suas fases mais avançadas. O paciente pode emagrecer por causa do baixo débito e da conseqüente má perfusão esplâncnica, decorrente da insuficiência cardíaca direita, levando a empachamento pós-prandial e má absorção dos alimentos, provocada pela inapetência motivada pela orientação de dieta hipossódica e pelo efeito colateral dos medicamentos, e, finalmente, pela liberação do TNF-alfa, antigamente denominado caquetina. A liberação dessa citocina é, principalmente, de origem miocárdica, secundariamente a baixo débito, hipoxia e aumento de estresse intramiocárdico; porém, identificou-se, também, liberação intestinal, como resposta ao baixo débito, à má perfusão e à translocação bacteriana tanto intestinal como esplâncnica. Diversos outros estudos demonstraram que pacientes com insuficiência cardíaca de etiologia isquêmica, hipertensiva ou idiopática têm níveis plasmáticos de TNF-alfa elevados, e que esses níveis aumentam de acordo com a gravidade da insuficiência cardíaca e têm valor prognóstico independente de classe funcional, consumo de oxigênio ou fração de ejeção do ventrículo esquerdo. A Interleucina-1 e Interleucina-6 também apresentam níveis comprovadamente elevados na IC. A IL-6 foi relacionada com a presença de caquexia cardíaca, como fator de prognóstico proporcional aos níveis séricos, com o risco para óbito, com a necessidade de hospitalização por insuficiência cardíaca ou necessidade de transplante cardíaco, independentemente da classe funcional e de outros marcadores de ativação neuro-hormonal e inflamatória. Dessa maneira, as evidências disponíveis sugerem que a insuficiência cardíaca é um estado pró-inflamatório e que a inflamação crônica pode estar relacionada à evolução da doença e ao prognóstico dos pacientes. Entretanto, esse modelo não é uniformemente aplicável. Apenas uma fração (40% a 60%, na maioria dos estudos) dos pacientes tem concentrações aumentadas de citocinas pró-inflamatórias no plasma, e há evidências de que a ativação inflamatória é modulada pela etiologia da doença cardíaca. É plausível imaginarmos que a ativação das citocinas seja análoga à ativação do sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina-aldosterona na insuficiência cardíaca, e que seu antagonismo possa ser benéfico. Entretanto, estudos clínicos com drogas que agiam sobre as citocinas foram interrompidos precocemente por falta de eficácia ou se associaram a aumento de eventos adversos. |
|
Manuais de Cardiologia Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades Livro virtual - Dr. Reinaldo Mano |
| | This site complies to the HONcode standard for trustworthy health information: verify here. |
|
Último Update: 20 de janeiro de 2010
1º Edição deste capítulo em julho de 1999 |