Insuficiência Cardíaca - Função Diastólica

                 O enchimento ventricular depende da freqüência cardíaca, retorno venoso e da complacência ventricular. A complacência ventricular é uma propriedade mecânica do músculo cardíaco, que se resume no fato de um determinado aumento de volume da camara cardiaca gera um proporcional aumento de pressão da mesma. Um ventrículo é dito complacente se o retorno venoso é recebido sem um aumento expressivo da pressão ventricular. Por outro lado a curva Pressão/Volume é uma função exponencial e portanto uma mesma variação do volume gera maior pressão num mesmo ventrículo se o volume inicial for maior.

 

·     Quanto menor o volume diastólico maior a complacência

 

 

Veja a figura.

 

                 A complacência como propriedade mecânica depende do relaxamento ventricular, das propriedades elásticas do ventrículo, da anatomia do ventrículo e das forças de contenção ao enchimento ventricular.

                 O relaxamento ventricular é um processo mecânico ativo, que despende energia e utiliza oxigênio na ordem de 20% do MVO2. Doenças que causem alterações isquêmicas ou que causem maior consumo de O2 alteram o relaxamento antes mesmo de comprometer a função sistólica.

As propriedades elásticas da parede dependem de sua composição. Os miócitos são envoltos por tecido conectivo composto basicamente de colágeno tipo I, que representa 3% da massa do miocárdio. Presença de fibrose causada por doença leva a alteração da distensibilidade. O colágeno depositado nas regiões fibróticas também é de outro tipo (III), alterando as propriedades elásticas.

                 A anatomia ventricular, mais precisamente a relação massa/volume da cavidade interfere na distensibilidade a medida que um ventriculo de cavidade pequena e paredes espessas é menos distensível que um de parede mais delgada, independente dos outros fatores. Portanto a redução da hipertrofia ventricular melhora a função diastólica.

                 As forças de contenção ao enchimento ventricular dizem respeito a interdependência dos ventrículos e ao tecido pericárdico.

                 A disfunção diastólica caracteriza-se pelo enchimento subnormal do ventrículo durante a diástole, ou mais freqüentemente pelo enchimento ventricular normal as custas de um aumento exagerado da pressão cavitária. A principal causa de disfunção diastólica é a disfunção sistólica, que causa dilatação ventricular e aumento da tensão parietal e, como mecanismo de compensação, a hipertrofia ventricular e remodelação do ventrículo. As pressões diastólicas passam a ser elevadas.

                 Ocorre no entanto que a disfunção diastólica pode estar presente na ausência de disfunção sistólica ou de dilatação ventricular. Nas doenças que cursam com sobrecarga pressórica crônica e na insuficiência coronariana, não raro, a disfunção diastólica é o único componente da insuficiência cardíaca. Em situações de consumo aumentado de oxigênio e taquicardia, o relaxamento miocárdico pode ser tão prejudicado a ponto de causar congestão pulmonar grave, o suficiente para gerar um edema agudo de pulmão.

                 A terapêutica mais adequada para os casos de disfunção diastólica isolada incluem a redução do consumo de oxigênio miocárdico e a concentração de cálcio citoplasmático, além do controle das taquiarritmias.

 

 

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Último Update: 20 de janeiro de 2010

 

1º Edição deste capítulo em julho de 1999