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Manuais de Cardiologia Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades Livro virtual - Dr. Reinaldo Mano |
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Medida Indireta da Pressão Arterial
A medida da pressão arterial, pela sua importância, deve ser estimulada e realizada, em toda avaliação de saúde, por médicos de todas as especialidades e demais profissionais da área de saúde. O esfigmomanômetro de coluna de mercúrio é o ideal para essas medidas. Os aparelhos do tipo aneróide, quando usados, devem ser periodicamente testados e devidamente calibrados. A medida da pressão arterial deve ser realizada na posição sentada, de acordo com o procedimento descrito a seguir: 1) Explicar o procedimento ao paciente. 2) Certificar-se de que o paciente: não está com a bexiga cheia; não praticou exercícios físicos; não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos, ou fumou até 30 minutos antes da medida. 3) Deixar o paciente descansar por 5 a 10 minutos em ambiente calmo, com temperatura agradável. 4) Localizar a artéria braquial por palpação. 5) Colocar o manguito firmemente cerca de 2 cm a 3 cm acima da fossa antecubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria braquial. A largura da bolsa de borracha do manguito deve corresponder a 40% da circunferência do braço e seu comprimento, envolver pelo menos 80% do braço. Assim, a largura do manguito a ser utilizado estará na dependência da circunferência do braço do paciente ( ver Tabela). 6) Manter o braço do paciente na altura do coração. 7) Posicionar os olhos no mesmo nível da coluna de mercúrio ou do mostrador do manômetro aneróide. 8) Palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu desaparecimento, para a estimativa do nível da pressão sistólica, desinflar rapidamente e aguardar de 15 a 30 segundos antes de inflar novamente. 9) Colocar o estetoscópio nos ouvidos, com a curvatura voltada para a frente. 10) Posicionar a campânula do estetoscópio suavemente sobre a artéria braquial, na fossa antecubital, evitando compressão excessiva. 11) Solicitar ao paciente que não fale durante o procedimento de medição. 12) Inflar rapidamente, de 10 mmHg em 10 mmHg, até o nível estimado da pressão arterial. 13) Proceder à deflação, com velocidade constante inicial de 2 mmHg a 4 mmHg por segundo, evitando congestão venosa e desconforto para o paciente. 14) Determinar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro som (fase I de Korotkoff), que se intensifica com o aumento da velocidade de deflação. 15) Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de Korotkoff), exceto em condições especiais. Auscultar cerca de 20 mmHg a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa. Quando os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff). 16) Registrar os valores das pressões sistólica e diastólica, complementando com a posição do paciente, o tamanho do manguito e o braço em que foi feita a mensuração. Deverá ser registrado sempre o valor da pressão obtido na escala do manômetro, que varia de 2 mmHg em 2 mmHg, evitando-se arredondamentos e valores de pressão terminados em “5”. 17) Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas. 18 ) O paciente deve ser informado sobre os valores da pressão arterial e a possível necessidade de acompanhamento.
A tabela abaixo apresenta os diferentes tamanhos de manguito, de acordo com a circunferência do braço.
Dimensões recomendadas da bolsa inflável do manguito (“American Heart Association”).
Para a medida da pressão arterial na coxa, o procedimento é o seguinte: 1) Utilizar manguito de tamanho adequado, colocado no terço inferior da coxa. 2) Colocar o paciente em decúbito ventral. 3) Realizar a ausculta na artéria poplítea.
Na medida da pressão arterial na posição ereta, o braço deve ser mantido na altura do coração, com apoio. Na presença de fibrilação atrial, pela dificuldade de determinação da pressão arterial, deverão ser considerados os valores aproximados. Nos indivíduos idosos, portadores de disautonomia, alcoólatras e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva, a pressão arterial deve ser medida também na posição ortostática. Em cada consulta, deverão ser realizadas no mínimo duas medidas, com intervalo de 1 a 2 minutos entre elas; caso as pressões diastólicas obtidas apresentem diferenças superiores a 5 mmHg, sugere-se que sejam realizadas novas aferições, até que seja obtida medida com diferença inferior a esse valor. De acordo com a situação clínica presente, recomenda-se que as medidas sejam repetidas em pelo menos duas ou mais visitas. As medições na primeira avaliação devem ser obtidas em ambos os membros superiores. As posições recomendadas na rotina para a medida da pressão arterial são sentada e/ou deitada.
Situações Especiais de Medida da Pressão Arterial
Crianças A determinação da pressão arterial em crianças é recomendada como parte integrante de sua avaliação clínica. À semelhança dos critérios já descritos para adultos: 1) A largura da bolsa de borracha do manguito deve corresponder a 40% da circunferência do braço. 2) O comprimento da bolsa do manguito deve envolver 80% a 100% da circunferência do braço. 3) A pressão diastólica deve ser determinada na fase V de Korotkoff.
Idosos Na medida da pressão arterial do idoso, existem dois aspectos importantes: 1) Maior freqüência de hiato auscultatório, que subestima a verdadeira pressão sistólica. 2) Pseudo-hipertensão, caracterizada por nível de pressão arterial falsamente elevado em decorrência do enrijecimento da parede da artéria. Pode ser detectada por meio da manobra de Osler, que consiste na inflação do manguito até o desaparecimento do pulso radial. Se a artéria continuar palpável após esse procedimento, o paciente é considerado Osler positivo.
Gestantes Devido às alterações na medida da pressão arterial em diferentes posições, atualmente recomenda-se que a medida da pressão arterial em gestantes seja feita na posição sentada. A determinação da pressão diastólica deverá ser considerada na fase V de Korotkoff. Eventualmente, quando os batimentos arteriais permanecerem audíveis até o nível zero, deve-se utilizar a fase IV para registro da pressão arterial diastólica.
Obesos Em pacientes obesos, deve-se utilizar manguito de tamanho adequado à circunferência do braço (Tabela I). Na ausência deste, pode-se: - corrigir a leitura obtida com manguito padrão (13 cm x 24 cm), de acordo com a tabelas próprias; - usar fita de correção aplicada no manguito; e - colocar o manguito no antebraço e auscultar a artéria radial, sendo esta a forma menos recomendada.
Rotina Diagnóstica e de Seguimento
De acordo com a situação clínica presente, recomenda-se que as medidas sejam repetidas em pelo menos duas ou mais visitas. As medições na primeira avaliação devem ser obtidas em ambos os membros superiores. As posições recomendadas na rotina para a medida da pressão arterial são sentada e/ou deitada. Para a confirmação do diagnóstico, em cada consulta, deverão ser realizadas no mínimo duas medidas, com intervalo de 1 a 2 minutos entre elas; caso as pressões obtidas apresentem diferenças superiores a 6 mmHg, sugere-se que sejam realizadas novas aferições, até que seja obtida medida com diferença inferior a esse valor. As recomendações para o seguimento estão apresentadas na tabela abaixo.
Se as pressões sistólica ou diastólica forem de categorias diferentes, o seguimento recomendado é definido como de menor tempo. De acordo com a situação clínica presente, recomenda-se que as medidas sejam repetidas em pelo menos duas ou mais visitas. As medições na primeira avaliação devem ser obtidas em ambos os membros superiores. Nos indivíduos idosos, portadores de disautonomia, alcoólatras e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva, a pressão arterial deve ser medida também na posição ortostática. O uso do MAPA e MRPA deve ser considerado nos casos que necessitem uma confirmação e seguimento mais freqüente.
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Hipertensão Arterial Sistêmica - Técnica de Aferição |
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Último Update: 06 de abril de 2009 1º Edição deste capítulo em abril de 1999 |
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Circunferência do braço (cm) |
Denominação do manguito |
Largura da bolsa (cm) |
Comprimento da bolsa (cm) |
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5-7,5 |
Recém-nascido |
3 |
5 |
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7,5 - 13 |
Lactente |
5 |
8 |
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13 - 20 |
Criança |
8 |
13 |
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17 - 24 |
Adulto magro |
11 |
17 |
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24 - 32 |
Adulto |
13 |
24 |
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32 - 42 |
Adulto Obeso |
17 |
32 |
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42 - 50 |
Coxa |
20 |
42 |
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Pressão arterial inicial (mmHg) |
Recomendações para seguimento (prazos máximos). |
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Sistólica |
Diastólica |
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< 130 |
< 85 |
Reavaliar em 1 ano |
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130 ~139 |
85 ~89 |
Reavaliar em 6 meses |
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140 ~159 |
90 ~ 99 |
Confirmar em 2 meses |
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160 ~ 179 |
100 ~109 |
Confirmar em 1 mês |
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> 180 |
> 110 |
Intervenção Imediata ou Reavaliar em 1 semana |