Manuais de Cardiologia         

Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades

Livro virtual -  Dr. Reinaldo Mano

Hipertensão Arterial Sistêmica - Situações Especiais

              Hipertensão no Idoso

            

             A prevalência de HAS nessa população é muito alta. No Brasil cerca  de 65% dos idosos são hipertensos e entre mulheres maiores de 75 anos a prevalência pode chegar a 80%.

                 No paciente idoso deve-se sempre usar doses menores das medicações que na população não idosa. As reduções da PA devem ser leves e progressivas, com ajustes de doses menores e mais graduais. A meta nessa população segundo as IV Diretrizes Brasileiras de HAS é manter níveis pressóricos abaixo de 140/90mmHg. No entanto, em níveis muito elevados de pressão sistólica, inicialmente podem ser mantidos níveis de até 160 mmHg de PA sistólica.

                 As medicações preferenciais são os antagonistas do cálcio, os diuréticos em doses baixas (12,5mg de hidroclorotiazida ou clortalidona), os inibidores da enzima conversora e os alfa-bloqueadores. Os betabloqueadores e simpatolíticos de ação central podem ser usados, conforme o caso e as co-morbidades associadas.

                 É particularmente importante neste grupo considerar a hipertensão sistólica isolada, que é fator de risco importante, estando mais associada no idoso a eventos cardiovasculares que a hipertensão diastólica.

                 A coexistência de outros fatores de risco (dislipidemia, diabetes, hipertrofia ventricular esquerda, obesidade e tabagismo) é muito mais comum neste grupo e deve ser abordada em conjunto.                

                 Deve-se lembrar da possibilidade de ocorrência de grande variabilidade da pressão arterial e hipotensão ortostática devido à alteração dos baroreflexos. A mensuração da PA com o paciente de pé é recomendável, além da posição sentada. 

                 Também é importante a lembrança da ocorrência de pseudo-hipertensão pelo enrijecimento das paredes das artérias periféricas e da possibilidade maior de ocorrência de hiato auscultatório durante o exame.

                 Apesar de não ser a causa mais comum, a hipertensão secundária de origem renovascular por aterosclerose do 1/3 proximal das artérias renais deve ser lembrada, principalmente em hipertensão de início recente, acelerada ou refratária ao tratamento.

                 Foi demonstrado que o tratamento da hipertensão no idoso reduz a incidência de déficit cognitivo.

 

 

Último Update: 06 de abril de 2009

1º Edição deste capítulo em abril de 1999

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