Manuais de Cardiologia         

Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades

Livro virtual -  Dr. Reinaldo Mano

                 Medidas antropométricas

 

                 O cálculo do índice cintura quadril é necessário para estabelecer a presença de índice de risco relacionado a obesidade visceral. A circunferências da cintura  é medida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca lateral. O quadril é medido ao nível do trocanter maior. O cálculo pela fórmula da relação cintura/quadril (C/Q) tem como valores normais máximos: em mulheres C = 88 cm e C/Q = 0,85; em homens C = 102 cm e C/Q = 0,95.

                 Deve se obter ainda o peso e altura do paciente para cálculo do índice de massa corporal ( IMC = peso (kg)/altura2 (m) ). Limites normais do IMC são entre 20 e 25 Kg/m2.. Sobrepeso é considerado quando o IMC é além de 25 kg/m2 e considera-se obesidade quando IMC ≥ 30 kg/m2.

 

 

                 Monitorização Ambulatorial e Residencial da Pressão Arterial

 

                 A pressão arterial varia devido à interação de fatores neuro-humorais, comportamentais e ambientais. Esta variação é contínua, de momento a momento, de acordo com as atividades do indivíduo, sendo que em pacientes hipertensos essa variabilidade da pressão arterial apresenta uma amplitude maior que nos indivíduos normais. Durante o período de vigília, os valores da pressão arterial são maiores do que aqueles obtidos durante o sono. Em função dessas variações surgiram métodos para melhor avaliação do comportamento da pressão arterial em períodos predeterminados. Dentre eles destacam-se: medidas repetidas casuais da pressão arterial, monitorização ambulatorial (MAPA) e/ou residencial da pressão arterial (MRPA).

                 A medida da pressão arterial no consultório, apesar de considerada procedimento padrão para o diagnóstico de hipertensão e para o seguimento de pacientes hipertensos, está sujeita a inúmeros fatores de erro, sendo que o mais importante dentre eles é a influência do observador. Além disso, tal medida propicia um número reduzido de leituras, que não apresentam boa reprodutibilidade ao longo do tempo. A atual diretriz de hipertensão recomenda o uso ou da MAPA ou da MRPA para o diagnóstico definitivo de hipertensão, durante o seguimento de investigação, a partir da terceira mensuração suspeita para o diagnóstico diferencial de hipertensão do avental branco.

                 A medida residencial realizada durante vários dias pelo paciente ou familiar devidamente treinados constitui uma alternativa útil para evitar esses inconvenientes. Dentre as vantagens da MRPA em relação às medidas casuais (de consultório) está a melhoria dos índices de adesão ao tratamento, o que levou vários organismos internacionais a sugerirem o uso rotineiro de tal procedimento.

                 As indicações e detalhes sobre cada técnica são descritos em cada um dos links abaixo:

 

                 Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial - MAPA

 

                 Monitorização Residencial da Pressão Arterial - MRPA

 

 

                 Fundoscopia

 

                 O exame do fundo de olho deve ser realizado sempre que possível, pois permite uma avaliação dos efeitos da hipertensão no leito vascular.

                 Existem alterações retinianas especificamente relacionadas com a hipertensão arterial, como arteríolas em fio de cobre, cruzamentos artério-venosos patológicos e aneurismas.

                 Outras lesões não são específicas, podendo ocorrer em doenças como diabetes, neoplasias e doenças do colágeno.

                 A retinopatia pode ser classificada em leve moderada ou grave. Alterações leves são a presença isolada de estreitamento arteriolar, sinais de aterosclerose, com artérias em fio de cobre e fio de prata e cruzamentos patológicos. Alterações moderadas incluem a presença de exsudatos e hemorragias retinianas (chama de vela), microaneurismas e edema macular. As alterações graves compreendem o acometimento do disco  (edema de papila).

                 A presença de hemorragias retinianas, microaneurismas e exsudatos algodonosos são preditores de acidente vascular cerebral, independente do nível pressórico e da presença de outros fatores de risco. Existe correlação também dessas alterações com déficit cognitivo e lesões do SNC vistas à RNM. Portanto a retinopatia moderada configura a necessidade de monitorização e controle intensos do paciente.  A retinopatia grave, com edema de papila, configura uma situação emergencial, no qual o tratamento imediato com o paciente internado é necessário.

 

                 Exames laboratoriais e de imagem

                

                 A avaliação complementar mínima de um paciente hipertenso inclui glicemia, colesterol total, HDL e triglicerídeos, ureia, creatinina, potássio, ácido úrico e eletrocardiograma.

                 O objetivo dessa investigação é basicamente a detecção de co-morbidades: diabetes, alteração da função renal, dislipidemia, HVE e doença coronariana associada. É importante ter em mente que o objetivo do seguimento do paciente hipertenso é impedir um aumento do risco de redução da expectativa de vida ou de doenças de potencial mórbido elevado. Como existe uma população hipertensa muito grande é inviável estudá-la na sua totalidade, sem uma elevação muito grande do custo do tratamento. A população portadora de hipertensão sem outros fatores de risco possui um risco muito menor de eventos do que os portadores de outros fatores de risco. 

                 O uso rotineiro da ecocardiografia é extremamente discutível, tendo em vista a limitação técnica em relação a reprodutibilidade dos resultados quanto a avaliação da massa ventricular e HVE em um mesmo paciente. Apesar de não ser um exame caro, a relação custo benefício desse estudo de forma rotineira não tem base no hipertenso não complicado. Em hipertensos em estágios 1 e 2 sem hipertrofia ventricular esquerda ao ECG, a recomendação para o ecocardiograma é restrita aos pacientes que tenham três ou mais fatores de risco. A avaliação função sistólica e diastólica é recomendável para pacientes com suspeita clínica de insuficiência cardíaca concomitante.

                 Nos pacientes hipertensos diabéticos, com síndrome metabólica ou com três ou mais fatores de risco recomenda-se a pesquisa de microalbuminúria pelo índice albumina/creatinina em amostra isolada de urina.

                 Em pacientes com glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl, recomenda-se a glicemia duas horas após sobrecarga oral de glicose.

                 Exames mais sofisticados, como para pesquisa de hipertensão secundária devem ser reservados para pacientes com um potencial mórbido mais elevado e com indicação precisa, através de sinais clínicos sugestivos (descritos no capítulo sobre o tema).  

 

                   

Hipertensão Arterial Sistêmica - Avaliação Complementar

Último Update: 06 de abril de 2009

1º Edição deste capítulo em abril de 1999

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