Manuais de Cardiologia         

Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades

Livro virtual -  Dr. Reinaldo Mano

Hipertensão Arterial Sistêmica - Conceitos Históricos 3, 4

A primeira mensuração experimental da pressão arterial foi realizada na primeira metade do século XVIII por Stephen Halles, na Inglaterra, que usou uma coluna de vidro conectada a uma artéria de um cavalo, sendo observada a elevação da coluna de sangue no tubo e a oscilação do pulso.

A invenção do esfigmomanômetro de coluna de mercúrio data de 1896, pelo italiano Scipione RivaRocci, em Turim. Em seu trabalho foi descrita a pressão arterial sistólica, definida pelo desaparecimento da oscilação de pulso à insuflação de um manguito.

Em 1905 o russo Korotkoff desenvolveu o método auscultatório de medida indireta da pressão arterial, através do esfigmomanômetro, descrevendo os ruídos que ocorrem durante a ausculta da artéria braquial, concomitante a desinsuflação do manguito.

Até a década de 40 a importância clínica da pressão arterial elevada era controvertida e muitos duvidavam inclusive da necessidade do tratamento. O limite máximo para a pressão arterial normal variava muito nessa época, dependendo da opinião de cada autor, mas em geral níveis até 160/100mmHg eram considerados aceitáveis.

Em 1944 Walter Kempner instituiu um tratamento dietético que obteve o primeiro sucesso na demonstração de redução de mortalidade numa população hipertensa. A dieta de Kempner, era receitada pelos melhores clínicos do Brasil durante a década de 50 e consistia de 400g diárias de arroz, acompanhada de frutas e açucarados, sendo hipocalória, hipossódica, hipoproteica, insípida e de difícil tolerância.

Em relação ao uso de fármacos anti-hipertensivos, existiu uma defasagem entre a descoberta das primeiras drogas com ação anti-hipertensiva, seu uso eficaz e o estudo científico de seus efeitos. A falta de critérios rígidos em pesquisas naquela época, associado ao fato da hipertensão não ter sua importância valorizada foram contribuintes importantes para esse fenômeno.

Os diuréticos mercuriais surgiram em 1924. Em 1936 o tiocianato foi empregado como hipotensor. Os alcalóides do Veratrum foram usados na década de 40. A Hidralazina e a reserpina surgiram no início da década de 50 e na metade dessa década foi desenvolvida a primeira droga do grupo dos diuréticos tiazídicos, a benzotiazida. Do final da década de 50 e início da década de 60 é que surgiram os diuréticos de alça, a guanetidina e a metildopa.

Os primeiros estudos controlados com placebo que comprovaram a eficácia do tratamento anti-hipertensivo só ocorreram na década de 60, sendo pioneiro o do Veterans Administration. Neste foi comprovada a eficácia do tratamento dos pacientes em fase III da hipertensão. A partir daí novos estudos demonstraram a eficácia do tratamento em níveis pressóricos cada vez menores.

Em 1964 foi publicado o primeiro estudo com o propranolol e a classe se desenvolveu rapidamente na década de 70.

Na década de 70 foram descobertas as propriedades de inibição da enzima conversora da angiotensina, a partir de peptídeos do veneno da jararaca. Essa pesquisa brasileira resultou no desenvovimento de a uma nova classe de drogas com a síntese do captopril.

A ação hipotensora dos bloqueadores dos canais de cálcio já era conhecida desde a década de 60, mas apenas na década de 80 foi comercializada e utilizada como droga de primeira linha para a hipertensão.

                 Os bloqueadores AT1 surgiram na década de 90. Desde então várias pesquisas com novas classes de drogas tem tentado evoluir o tratamento da hipertensão, mas até o momento nenhuma nova droga surgiu com a capacidade de ocupar um lugar junto com as drogas estabelecidas como de primeira linha naquela época.

 

Último Update: 06 de abril de  2009

1º Edição deste capítulo em abril de 1999

This website is certified by Health On the Net Foundation. Click to verify. This site complies to the HONcode standard for trustworthy health information: verify here.