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Doença Coronariana - Infarto do Miocárdio com supra ST |
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Considerações Gerais
A mortalidade hospitalar por infarto agudo do miocárdio (IAM) situava-se ao redor de 30% na década de 50. Com o advento, na década seguinte, das Unidades de Tratamento Intensivo e, em seguida, das Unidades Coronarianas, essa mortalidade caiu quase que pela metade, fundamentalmente por conta do melhor controle das arritmias. A partir da década de 80, houve uma drástica redução da mortalidade durante a fase aguda, com o uso dos fibrinolíticos e em seguida dos novos processos de intervenção percutânea. Com essa abordagem, a incidência de óbitos em pacientes com IAM atingiu os atuais 6% a 10%. Apesar disso, o IAM continua sendo causa líder de mortalidade no Mundo Ocidental, pela alta prevalência e pela mortalidade pré-hospitalar. Os pacientes com IAM são divididos em dois tipos: aqueles com ou sem supradesnível do segmento ST ao eletrocardiograma. Esse é o grande diferencial quanto ao tratamento a ser instituído. A terapêutica no IAM sem supradesnível do segmento ST, de maneira geral, é a recomendada no capítulo de angina instável.
A fase pré hospitalar
Entre o início dos sintomas até o efetivo socorro médico existe um período que compreende 2 momentos: a) o início da dor e reconhecimento do sintoma do IAM pelo paciente até a decisão de procurar por socorro; b) da procura por socorro propriamente dito, incluindo o deslocamento ao hospital mais próximo. O primeiro momento está vinculado à educação comunitária para o reconhecimento da dor e à procura imediata pelos serviços de emergência. O principal componente do retardo desse momento é o prolongado tempo, por parte do paciente, em procurar ajuda. Apenas 20% dos pacientes com dor torácica aguda chegam ao setor de emergências antes de 2h do início dos sintomas. O segundo momento está principalmente relacionado à assistência domiciliar, que deve ser acessível e rápida e com recursos tecnológicos e humanos treinados para ressuscitação cardiorrespiratória, diagnóstico e tratamento do IAM. Desde o final dos anos 60, sabe-se que a maioria das mortes ocorre nas primeiras horas de manifestação da doença, sendo 40% a 65% na primeira hora do início dos sintomas e aproximadamente 80% nas primeiras 24 horas. Assim, a maioria das mortes por IAM acontece fora do hospital, sendo muitas vezes desassistidas pelos médicos e até mesmo pelos familiares. A modalidade mais freqüente de parada cardiorrespiratória nas primeiras horas de IAM é a fibrilação ventricular, que só pode ser revertida pela desfibrilação elétrica; se realizada no primeiro minuto após o colapso, a desfibrilação elétrica reverte mais de 90% dos casos. São relacionados ao retardo na procura por auxilio, o desconhecimento da dor do IAM, idade avançada, baixo nível socioeconômico, sexo feminino e automedicação. A redução do retardo pré-hospitalar diminui não só o número de casos de morte súbita pré-hospitalar, como também a mortalidade hospitalar. O tempo decorrido entre o início da dor e a recanalização coronária, química ou mecânica, é o fator fundamental para o benefício do tratamento, tanto imediato quanto tardio, em relação à mortalidade e à morbidade, em pacientes tratados em até 12 horas do início da dor. É desejável que haja um esforço por parte da comunidade em geral, e da cardiológica em especial, no sentido de serem desenvolvidos programas que permitam: a) educar a população sobre os sinais/sintomas do IAM, inclusive com a possibilidade de acesso a um telefone de emergência à menor suspeita; e b) treinar pessoal especializado, disponibilizando material adequado para tratamento das emergências médicas ainda dentro das ambulâncias. O programa Advanced Cardiac Life Support (ACLS) seguramente é um excelente instrumento nesse sentido.
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Manuais de Cardiologia Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades Livro virtual - Dr. Reinaldo Mano |
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Último Update: 01 de abril de 2010 1º Edição deste capítulo em junho de 1999 |