Doença Arterial Coronariana - Isquemia Silenciosa

             É a síndrome coronariana em que não ocorre sintomas anginosos durante o episódio isquêmico. Pode ser classificada em 3 tipos (Cohn):

                 Tipo I: Ocorre nos pacientes com lesões obstrutivas e que nunca apresentaram nenhum episódio anginoso, alguns até mesmo durante um episódio de IAM. É o tipo menos comum.

                 Tipo II: É o que é diagnosticado pós IAM

                 Tipo III: Tipo mais comum, onde o paciente alterna episódios isquêmicos sintomáticos, seja do tipo angina estável, instável ou Prinzmetal, e episódios silenciosos, diagnosticados por monitorização.

 

                 O sintoma anginoso, subestima a real incidência dos episódios isquêmicos significativos. O teste ergométrico pode induzir alterações isquêmicas sem o desenvolvimento de sintomas anginosos. Alguns estudos de monitorização demonstraram uma incidência de até 90% de episódios isquêmicos silenciosos, sendo portanto uma entidade muito comum, principalmente a do tipo III. É estimado que 50% dos pacientes portadores de angina sofrem episódios isquêmicos silenciosos, sendo que nos diabéticos essa prevalência deva ser maior.

 

                 Os mecanismos envolvidos na ausência de sintomas durante a isquemia não são claros, sendo propostas algumas teorias em certas situações:

a) Neuropatia autonômica nos diabéticos

b) Maior resistência a dor de uma forma geral

c) Produção aumentada de endorfinas nos hipertensos, por possuírem uma maior incidência de isquemia silenciosa que os normotensos;

d) Episódios silenciosos seriam menos severos que os anginosos, postulando-se que os receptores de dor não seriam estimulados por agressões menores.

e) Investigações recentes sugerem a hipótese de não ser a nível periférico a alteração da sensação dolorosa mas a nível cerebral (córtex frontal).

                

                 Apesar de existir correlação prognóstica entre a presença de isquemia silenciosa e morbidade, o valor de pesquisá-la pelo holter é duvidoso, pois o teste ergométrico identifica a maioria dos pacientes com isquemia miocárdica e ainda é o meio diagnóstico mais importante para a doença coronariana obstrutiva.

                 Não há diferença prognóstica significativa entre o tratamento clínico baseado no controle de episódios isquêmicos silenciosos monitorados pelo holter ou no baseado no controle da dor anginosa sintomática. A revascularização miocárdica melhora ambas as formas de apresentação da doença coronariana.

                 As mesmas drogas usadas na doença coronariana em sua forma sintomática, previnem os episódios de isquemia silenciosa.

 

 

 

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Último Update: 01 de abril de 2010

1º Edição deste capítulo em junho de 1999