Anamnese Cardiológica - Uso de Medicações

                 A descrição do uso de qualquer fármaco deve incluir além do nome genérico do medicamento, a forma farmacêutica, a dosagem e o número de tomadas diárias, preferencialmente na forma exata em que o paciente usa a medicação. Deve também constar a quanto tempo a medicação está em uso.

                 Uma causa precipitante importante de descompensação de insuficiência cardíaca e de internação de paciente cardiopata em tratamento ambulatorial é o abandono da medicação prescrita. Sabe-se que menos de 20% dos hipertensos fazem o tratamento medicamentoso de forma regular e eficaz. Assim é muito importante argüir não somente a medicação prescrita pelo médico que deveria estar em uso, mas insistir se de fato ela estava em uso e se não houve falha na continuidade ou se a quantidade de medicação está correta ou se está ocorrendo o uso por conta própria de medicação não prescrita.

                 A síncope pode ter como causa o uso de algum fármaco.

                 Infelizmente é comum o paciente dar uma informação equivocada em relação a sua medicação. O autor sugere o uso dos seguintes questionamentos caso não haja certeza durante a entrevista que a informação sobre as medicações está correta:

1) Pergunte ao paciente qual a medicação contida na prescrição sem que ele olhe para ela. Medicações de uso continuo que não estão memorizadas dificilmente estão sendo usadas diariamente.

                 2) Peça para o paciente indicar a caixa e o comprimido que usa - não é raro se constatar trocas devido problemas de visão ou de dificuldade na leitura.

                 3) Pergunte após o paciente afirmar que usa a medicação todos os dias se ele usou a medicação no dia de hoje especificamente e em seguida se usou ontem e nos dias anteriores. É freqüente o paciente admitir falhas só depois de insistirmos.

                 4) Pergunte ao acompanhante se é fato o uso regular da medicação.

                 5) Pergunte a última vez que comprou a medicação e quanto falta para terminar a caixa. 

                 6) Pesquise, principalmente em idosos, se é o próprio paciente que separa sua medicação ou se é algum familiar. É muito comum o paciente de mais idade que esconde sua medicação dos familiares e não a usa. 

 

                 Medicações de uso eventual também devem ser pesquisadas. Interações medicamentosas sempre devem ser pesquisadas.

Data da Publicação: 13/11/2004

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