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Manifestações Cardiovasculares das Doenças Reumatológicas |

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Introdução
Com o avanço dos meios de diagnóstico não-invasivos tornam-se cada vez mais freqüentes os dados disponíveis sobre as alterações cardiovasculares nas doenças reumáticas, o que antes só era possível em estudos pos-mortis. Para efeito do estudo destas alterações, podemos correlacioná-los a doenças reumatológicas congênitas ( Lupus Neonatal, Síndrome de Marfan, Ehles-Danlos e outras) ou adquiridas. As adquiridas, por sua vez, apresentam características distintas de acordo com a faixa etária acometida, se pediátrica ou própria de adultos. Com exceção da endocardite vegetante não-infecciosa ( Endocardite de Libmam-Sacks) que ocorre nos pacientes com Lupus Eritematoso Sistêmico (LES), nenhuma outra lesão é específica e várias podem ser atribuídas a etiologia multifatorial. O papel da presença de anticorpos anti-fosfolípides e do tratamento prolongado com corticoesteróides no aumento da incidência destas alterações cardiovasculares ainda é controverso.
Sintomas e Sinais Clínicos
Os sintomas mais freqüentes relacionados a danos cardiovasculares causados por doenças reumáticas são febre, dispnéia, dor torácica, edema, palpitações e síncope. A febre pode ser causada por pericardite ou miocardite, mas é o maior sintoma da endocardite a febre, associada ou não a alterações na ausculta cardíaca. Não devemos nunca deixar de afastar a possibilidade de uma infecção oportunista e ou atividade da doença de base. A dispnéia nas doenças reumáticas pode ser causada por uma série de causas não cardiológicas, incluindo doença pulmonar, pleural, anemia severa, doenças da parede torácica, fraqueza muscular focal ou generalizada ou severa comprometimento geral. O edema de membros inferiores pode ser causado por insuficiência cardíaca direita, esquerda ou biventricular, secundária ao comprometimento pulmonar ou por alteração cardíaca primária., assim como por envolvimento do pericárdio em caso de pericardite constritiva ou por cardiomiopatia restritiva amiloidótica secundária à doença reumática. Já a dor torácica é geralmente relacionada a pericardite aguda, que quando associada a doenças reumatológicas tem apresentação idêntica a da pericardite idiopática, com abafamento de bulhas, dor torácica subesternal exacerbada em decúbito e , ás vezes, com a tosse, e que se alivia ao assumir a postura ereta. Tamponamento e pericardite constritiva são raros e com diagnóstico relativamente fácil se suspeitado. A elevada pressão venosa em jugular e o pulso paradoxal estão presentes de forma precoce em todos os pacientes, e muitos apresentam o sinal de Kussmaul ( aumento paradoxal da pressão venosa jugular durante a inspiração). Na pericardite crônica a dor é mais branda e de caráter insidioso. Também comprometimento inflamatório das coronárias pode ser causa de dor torácica retro-esternal. A dor torácica pode ser ainda de etiologia pleural, causada por tromboembolismo pulmonar relacionado a síndrome antifosfolípide, pela disfunção esofágica da esclerose sistêmica, por artrite costovertebral e até mesmo por infecção oportunista por Herpes Zoster, entre outras causa não cardiológicas A sensação de palpitações pode representar arritimias cardíacas presentes na pericardite e na miocardite. A pericardite mais freqüentemente irrita o átrio, causando taquiarritimias atriais como fibrilação ou flutter. Já a miocardite costuma causar contrações prematuras dos ventrículos ou taquicardia ventricular. No envolvimento valvular severo das doenças reumatológicas complicado com insuficiência cardíaca também pode resultar em taquiarritimias atriais ou ventriculares. Finalmente, a hipóxia relacionada ao quadro de cor pulmonale pode resultar em arritimias, principalmente arritimias ventriculares. Uma síncope pode ser causada por arritimias atriais ou, mais freqüentemente, ventriculares. O bloqueio átrio-ventricular pode ocorrer como manifestação do envolvimento miocárdico das doenças reumatológicas. A hipertensão pulmonar severa pode também interromper o fluxo cardíaco e reduzir o fluxo sangüíneo cerebral causando síncope. Já os principais sinais de alterações cardiovasculares manifestos em pacientes reumatológicos são a hipertensão arterial, o atrito pericárdico, sopros e abafamento das bulhas cardíacas, além das alterações em exames complementares.
Principais Manifestações Cardiológicas
As principais manifestações cardiológicas que podem ocorrer nas patologias reumatológicas estão relacionadas abaixo de acordo com o nível do substrato anatômico acometido: Lesões do pericárdio: Pericardite – aguda ou crônica constritiva, com o sem tamponamento cardíaco; Lesões do miocárdio: Miocardite, miocardiopatia dilatada e miocardiopatia isquêmica (coronariopatia); Lesões do endocárdio: endocardite de Libmam-Sacks, propensão a endocardite infecciosa, comprometimento do aparelho valvar Lesões secundárias ao comprometimento pulmonar ou do arcabouço torácico; Lesões de base anatômica diversificada (miscelânea): Hipertensão arterial, síndrome hipercinética cardíaca, taquiarritimias, bloqueio atrio-ventricular, arteriosclerose, amiloidose, etc.
Por fim, se os medicamentos usados no tratamento de doenças cardiovasculares podem causar sintomas reumatológicos, incluindo artrite e miosite, da mesma forma, é importante conhecer algumas drogas utilizadas para o controle de doenças do tecido conectivo que podem criar ou agravar alterações cardiovasculares.
Investigação complementar
A investigação complementar compreende desde os exames mais simples como o Rx de tórax e o eletrocardiograma convencional, passando pelos testes de esforço, até os métodos de auxílio ao diagnóstico que se utilizam de radioisótopos como marcadores. Entretanto, é o ecodopplercardiograma o método complementar não-invasivo mais útil para investigação de alterações morfológicas e funcionais cardíacas, atribuídas de forma primária opu secundária às patologias reumáticas, in vivo.
Tratamento
É o tratamento específico para a doença de base na maioria dos casos. Exceção é feita para o tratamento da cardite reumática, dos derrames pericárdicos mais graves que evoluem para tamponamento cardíaco e naqueles casos em que o comprometimento do coração como órgão-alvo demanda em risco de vida ( anticoagulação e cirurgia em disfunções valvares severas; pulsoterapia com imunossupressores em miocardite aguda; etc).
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Dra Solange Gomides |
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Publicação em 10/02/03 |
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