Histórico

                 John Alexander MacWilliam fez a descrição da fibrilação ventricular (FV), como fenômeno mecânico/hemodinâmico, indutível por choque elétrico em 1889, sem ter disponível o registro eletrocardiográfico. Naquele ano ele postulou que a fibrilação ventricular seria um mecanismo para a morte súbita. O aparelho eletrocardiógrafo de Eithoven foi inventado em 1901 apenas.

                

                 No entanto, por motivos óbvios, o primeiro registro eletrocardiográfico de uma fibrilação ventricular em um homem só foi obtido muito depois, em 1911 por August Hoffman.

                 O primeiro trabalho sobre desfibrilação em humanos foi feito pelo cirurgião Claude Beck que utilizou a técnica de choque intra-torácico per operatório. Em 1947 realizou a primeira desfibrilação ventricular com sucesso. 

                 A desfibrilação transtorácica foi introduzida pelo Dr. Paul Zoll em 1960 que culminou com a criação das unidades coronarianas.

                 Em 1966 o Dr. J. Frank Pantridge observou que a maioria das mortes por infarto do miocárdio ocorriam na 1º hora do evento, antes da chegada ao hospital e que a causa em 90% dos casos era arritmogênica, o que levou a criação da primeira unidade móvel pré hospitalar, em Belfast.

O primeiro desfibrilador automático interno foi construído em 1970.

                 O desfibrilador automático de uso pré hospitalar surgiu em 1979.

 

                 Conceito

                 Arritmia mais comumente responsável pela morte súbita (75~80%), se caracteriza pela total desorganização das ondas de propagação elétrica, mostrada no ECG como uma seqüência de ondas de variadas amplitudes numa linha irregular (ver figura acima), não se observando qualquer complexo definido. É um evento fatal se não tratado dentro dos primeiros 5 minutos, sendo de reversão mais difícil quanto mais demorado for o socorro. O resultado clínico é a imediata perda da consciência seguida de apneia, podendo ocorrer na fase inicial convulsões.

 

                 Etiologia

                 Na maioria das vezes está associada a doença coronariana, onde as alterações celulares secundárias a  isquemia como o acumulo de cálcio intra celular, a ação de radicais livres, alterações metabólicas e da modulação neuro-humoral estão relacionadas com a gênese dessa arritmia. A fibrilação ventricular também pode ocorrer relacionada com o uso de drogas anti-arritmicas, hipoxia, fibrilação atrial com resposta ventricular muito rápida associada as síndromes de pré excitação e após cardioversão elétrica eletiva. Uma minoria dos casos de morte súbita se relaciona a doenças primárias que levam a FV (ex: displasia arritmogênica do VD, Sind Brugada).

 

                 Tratamento

                 O único tratamento eficaz é a imediata desfibrilação através de choque por corrente direta  conforme o protocolo já descrito. O uso de antiarritmicos na presença de FV e após a recuperação da parada cardíaca por FV ou TV sem pulso é descrito no link Drogas na RCP: Anti-Arritmicos

Parada Cardio-Respiratória e Morte Súbita Cardíaca

Fibrilação Ventricular

Manuais de Cardiologia         

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Livro virtual -  Dr. Reinaldo Mano

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Publicado em 12/11/2004

Última revisão 10/05/2009