Paciente grave deu entrada na emergência. O que fazer?

                 O cenário é o mais corriqueiro. Entra na emergência um paciente carregado no colo por um familiar que o lança na primeira maca livre. A primeira pessoa a ver esse cenário não necessariamente será o médico, mas se estiver familiarizada com o procedimento de Suporte Básico de Vida saberá exatamente o que fazer.

                 Nesse ponto antes de começar o algoritmo precisamos avaliar o paciente e prover seu socorro. Para memorizar essas ações lembre-se de que o algoritmo antes de começar no A da via Aérea, começa com duas ações básicas que vão formar na realidade  3 "A"s: 

                 ATENÇÃO - AJUDA - via AÉREA

 

                 ATENÇÃO

                 Avalie a responsividade do paciente. Solicitar o paciente de forma vigorosa é o significado do ATENÇÃO, ou seja verificamos rapidamente o nível de consciência do individuo. 

                 AÇÃO: Chegando próximo do paciente falando em voz alta e tocando o paciente perguntamos se ele está se sentindo mal:

                 " Senhor! Está me ouvindo?"

                 Resposta: Se o paciente responder ou mesmo apenas dar um gemido, já significa que ele não se encontra em total colapso cardiovascular (PCR). Pode apresentar alteração do nível de consciência, dispnéia, dor torácica importante, mas não parada cardio-respiratória. Parece uma bobagem, mas casos de manobras intempestivas em pacientes lúcidos rotulados como aparentemente desacordados não são exatamente uma raridade. Tão pouco podemos pedir que um individuo que não responde estímulos espere numa fila.

=> O PACIENTE NÃO RESPONDE - ESTÁ INCONSCIENTE

 

                 AJUDA

                 Ninguém é capaz de salvar uma vida sozinho. É sempre necessária a presença de uma equipe e de material adequado. A partir do momento que não se obteve resposta do paciente gravemente enfermo, se faz necessária a presença de toda a equipe de suporte de vida e principalmente do desfibrilador, pois como já foi dito, em 80% dos casos a fibrilação estará presente e sem a desfibrilação a manobra não terá sucesso.

 

                 AÇÃO: Ordenar a chegada do desfibrilador no local de atendimento: "Traga o carrinho de parada com o desfibrilador!"

                 Note que essa ação se faz antes mesmo de se verificar a via aérea do paciente. O tempo de reação será menor se, enquanto você salvaguarda a via aérea, outra pessoa já estiver em auxilio trazendo o desfibrilador. Esperar até o início das compressões torácicas para então lembrar do desfibrilador é um erro grave.

                 Mas se estivermos fora do hospital?

                 Na via pública a situação é sempre mais complicada. Fundamentalmente temos de procurar auxilio através do telefone de emergência:

                 AÇÃO: discando 192 (SAMU) /193 (Bombeiros) - "Tem um homem inconsciente aqui na rua. Preciso de uma ambulância que tenha um desfibrilador."

                 AÇÃO: num local público de grande concentração (AEROPORTO) - "Chamem uma equipe de socorro e peça que tragam um desfibrilador (DEA)".

                 A possibilidade de acesso ao desfibrilador elétrico automático (DEA) é fundamental. Atualmente poucos locais contam com tal dispositivo no Brasil. Se o paciente não tiver acesso a desfibrilação rápida o desfecho letal será inevitável. A remoção de paciente do local do evento em parada cardio-respiratória é absolutamente contra-producente e resultará certamente no óbito do paciente. O suporte básico de RCP no local se destina a permitir uma chance ao paciente para a chegada do desfibrilador, pois dificilmente o ritmo irá se recuperar sem ele. 

 

                 Agora sim, com ajuda a caminho, se inicia o algoritmo de suporte de vida.

 

                 via AÉREA

                 Estando a ajuda a caminho, podemos iniciar a ação no paciente. Ao mesmo tempo que verificamos a respiração, realizamos a abertura da via aérea com a hiper-extensão da cabeça. Estando a direita do paciente, coloca-se a mão esquerda sobre a fronte, levando a cabeça um pouco para trás. Ao mesmo tempo os dedos da mão direita são colocados sob o mento e num movimento de tração procede-se a abertura da boca e o deslocamento anterior da mandíbula, proporcionando a máxima abertura da orofaringe e desobstrução da laringe. Devemos aproximar o ouvido do rosto da vítima e olhando para o tórax do paciente observamos se existe movimento respiratório, vendo , ouvindo e sentindo a ventilação.

 

                 AÇÃO: Abrir via aérea com inclinação da cabeça. Ouvir, ver e sentir a ventilação.

 

Abertura da via aérea através da manobra de inclinação da cabeça e deslocamento anterior da mandíbula.

 

                 Exceção: Trauma - na suspeita de trauma cervical esse movimento não é permitido, devendo ser realizada a tração da mandíbula. Não serão vistos os detalhes dessa situação por não fazerem parte do escopo desse texto. O colar cervical instalado após trauma não deve ser retirado na sala de emergência até que se prove a ausência de lesão cervical.

 

                 => O PACIENTE NÃO RESPIRA

                 Garanta uma Boa respiração

 

                 RESUMO DO ALGORITMO 

                  Chegada do paciente 

                 AÇÃO  A => Chamar o paciente 

                                 O paciente não responde

                                  => Solicitar  ajuda / desfibrilador

                                 Enquanto a ajuda está sendo providenciada...

                                  => Abrir a via aérea com a manobra de inclinação - ouvir, sentir e observar

                                 O paciente não respira

                 => AÇÃO B - providenciar uma Boa respiração

Parada Cardio-Respiratória e Morte Súbita Cardíaca

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Livro virtual -  Dr. Reinaldo Mano

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Algoritmo BLS - “A” Básico

Publicado em 12/11/2004

Última revisão 10/05/2009