Parada Cardio-Respiratória e Morte Súbita Cardíaca

                 Por que atender de maneira padronizada?

                 O atendimento a um paciente vítima de morte súbita não escolhe hora, local ou presença do médico. A única chance de sobrevivência de uma vítima de parada cardíaca é um socorro rápido e ordenado, capaz de reverter o ritmo fibrilatório. Já foi mencionado que nas melhores séries de estudo, os resultados excelentes de atendimento a PCR tiveram um máximo de 30% de sucesso. A rapidez do socorro também é fundamental. Cada minuto perdido levam 10% de chances de recuperação. Sem suporte não há qualquer chance para o paciente. Calculando de forma simplista considere:

                 A partir do momento que ocorre a PCR o paciente só tem 50% de chance de ser recuperado. A cada minuto sem atendimento 10% das chances se vão. Após 5 minutos sem socorro, não haverá mais o que fazer ( 0% de chance de recuperar o paciente).

                 O SAVC foi criado exatamente para dar fim ao tumulto gerado pelo atendimento de uma parada cardíaca dentro dos hospitais. Organização gera eficiência. Eficiência se traduz em tempo e aqui é ouro para a vida do paciente. 

                 O procedimento não é válido apenas para hospitais. Muitos não conseguem chegar ao hospital e longe de apoio médico uma parada cardíaca está fadada ao êxito letal. Se pensarmos de forma prática, no contexto da cidade onde moramos, seja ela um centro desenvolvido de uma grande capital, seja uma cidade pouco populosa, em qualquer desses lugares uma pessoa na rua, transitando, ao ver outra pessoa sentindo-se mal e em seguida tendo um colapso deve saber como agir. E se a ação for única em qualquer local a chance de sucesso é sempre maior, pois o treinamento de socorro surtirá efeito da mesma forma independente de onde ocorrer o evento. Ações públicas também são necessárias pois o paciente precisará de acesso rápido ao socorro. A simples campanha de memorização do número de socorro do Corpo de Bombeiros (193) ou do SAMU (192) onde exista o serviço é fundamental, já que o chamado é a ação individual mais importante de todo o procedimento de socorro. O acesso aos desfibriladores automáticos em locais públicos é uma ação ainda em progresso no Brasil, mas já disponível em vários locais dos Estados Unidos e já salvaram muitas vidas. 

 

                 ABCDs

                 A memorização da conduta através do mnemônico ABCD/ABCD vem sendo divulgada através de trabalho da Sociedade Brasileira de Cardiologia. As normas estabelecidas pela American Heart Association visam a otimização do atendimento. São 8 passos divididos em 2 partes, a primeira chamada ABCD primário e a segunda de ABCD secundário. A ação estará fadada ao fracasso se os 8 passos do tratamento do paciente em PCR não forem seguidos.

A primário => via Aérea => Abrir a via aérea, desobstruir

 

B primário => Boa respiração => Ventilação primária não invasiva 

                                                 => Uso de método de barreira ou AMBU+ Máscara

C primário => Circulação => Compressões torácicas

 

D primário => Desfibrilação => uso do DEA em via pública ou

                                                => desfibrilação imediata na SE

 

Neste ponto o ritmo pode ou não ter sido restabelecido. Independente do resultado segue-se a seqüência e se mantem a RCP por pelo menos mais 2 minutos.

 

A secundário => via Aérea => re-verificar a respiração, proceder acesso aéreo através de tubo

 

B secundário => Boa respiração => Verificar colocação da cânula, Ventilação assistida por AMBU

 

C secundário => Circulação  =>  acesso venoso, verificar ritmo cardíaco, drogas (adrenalina)

 

D secundário=> Diagnóstico diferencial => Investigar e tratar causas reversíveis da parada cardíaca

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            

                 Principalmente nos passos do ABCD secundário, as ações não são necessariamente uma seqüência no tempo, mas uma ação conjunta e simultânea de uma equipe que deve ser orquestrada por um médico. O chefe da equipe irá organizar essas ações dentro do raciocínio lógico do algoritmo, seguindo-o dentro da filosofia do treinamento de SAVC. As ações específicas de cada uma dessas fases é explicitada em capítulos a seguir passo a passo. 

 

                 Atendimento da urgência por indivíduo não treinado

                 Em documento recente, a American Heart Association definiu a importância da ação das eventuais testemunhas de eventos em via pública. Muitos desses não serão pessoas treinadas no atendimento de um evento cardíaco com colapso total do paciente.

                 A ação mínima desejada na ocorrência de uma parada cardíaca é a chamada por socorro e a execução de compressões torácicas, mesmo sem a assistência ventilatória básica. Essa simplificação de procedimento visa encorajar o individuo não treinado a efetuar o primeiro resgate em qualquer hipótese, aumentando a adesão das pessoas a prática do socorro. Evidencias indicam que qualquer compressão torácica é melhor que nenhuma e que mesmo sem ventilação, por um curto período de tempo, o início rápido do suporte à circulação levará a uma maior chance de sobrevivência.

                 Portanto o individuo sem treinamento BLS pode executar compressões no centro do tórax sem obrigatoriedade de efetuar a ventilação, devendo ser substituído pelo individuo treinado assim que este se tornar disponível.

Publicado em 12/11/2004

Última revisão 10/05/2009

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