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Estudos Epidemiológicos Clássicos
Estudos na prevenção primária West of Scotland Coronary Prevention Study - WOSCOPS Air Force/Texas Coronary Atherosclerosis Prevention Study - AFCAPS/TexCAPS
Estudos na prevenção secundária
Estudo de Helsinki - New Engl J Med 1987, 317: 1237-45
Estudo randomizado, contralado com placebo, empregou genfibrozil no tratamento, por 5 anos, de portadores masculinos de dislipidemia dos tipos IIa, IIb e IV. 2859 homens completaram o estudo. Houve redução de 34% de infarto agudo do miocárdio fatal e não-fatal, sendo os resultados mais benéficos nos grupos IIb e IV (triglicerídeos aumentados). Entretanto, o grupo de pacientes que mais se beneficiou com o tratamento, correspondente a 10% da amostra total, foi aquele que apresentou, na avaliação inicial, a relação LDL-colesterol/HDL-colesterol > 5 mg/dl e triglicerídeos > 200 mg/dl. Nesse subgrupo, a redução de risco para doença arterial coronária foi de 70%, e esse resultado poderia ser explicado pela presença inicial de LDL pequenas e densas, cuja concentração diminui pela ação do genfibrozil, neste estudo, mas comum a outros fibratos.
Estudo do Oeste da Escócia (WOSCOPS)
O Estudo do Oeste da Escócia envolveu 6.595 homens (95% sem manifestação anterior de doença aterosclerótica coronária), com 45 a 64 anos de idade (média, 55 anos) e colesterolemia total média de 272 mg/dl. O grupo tratado (n = 3.302) com 40 mg de pravastatina apresentou redução da colesterolemia total (20%) e do LDL-colesterol (26%) e aumento do HDL-colesterol (5%); essas modificações induziram, comparativamente ao placebo (n = 3.293), redução estatisticamente significante no risco de infarto do miocárdio não-fatal (31%), da mortalidade por todas as causas cardiovasculares (32%), da necessidade de coronariografia (31%), da realização de angioplastia ou de cirurgia de revascularização (37%). Embora sem significância estatística, o grupo tratado apresentou também: redução do risco de mortes por doença aterosclerótica coronária (28%), de mortalidade por causas não-cardiovasculares (11%), da mortalidade total (22%), da mortalidade por neoplasias malignas (11%); e menor risco de acidentes vasculares cerebrais fatais e não-fatais (11%) e maior risco de câncer (8%). Após ajuste em relação a outros fatores de risco, verificou-se diminuição significativa da mortalidade total (24%) no grupo tratado. Não foram observadas diferenças significativas quanto à freqüência de suicídios e mortes violentas. Os benefícios do tratamento começaram a ser notados a partir do sexto mês. Foram observados em fumantes e não-fumantes, indiscriminadamente, tanto para aqueles com idade inferior a 55 anos como para os mais idosos, na presença ou ausência de outros fatores de risco e em portadores de diferentes taxas sanguíneas de colesterolemia total, LDL-colesterol e HDL-colesterol. Não houve correlação entre o porcentual de redução do LDL-colesterol e a freqüência de eventos, embora a redução do risco desses eventos fosse mais acentuada (45%) na presença de diminuição de 24% de LDL-colesterol; as reduções da trigliceridemia (12%) e a elevação do HDL-colesterol (7%) não provocaram modificações no risco. Pacientes tratados com pravastatina tiveram redução de 35% do risco de eventos, mais acentuado que a esperada no modelo de Framingham, que resultaria em 24%. A inclusão do WOSCOPS na meta-análise realizada por Gould e colaboradores, em 1998, permitiu observar redução da mortalidade por doença aterosclerótica coronária e total mais acentuada e reafirmar a inexistência de relação entre a redução da colesterolemia e o risco de mortalidade não relacionada à doença aterosclerótica coronária. Essa investigação justificou o uso de vastatina em pacientes de alto risco, mas não contribuiu para fixar um objetivo considerado ótimo em relação aos níveis de LDL-colesterol a serem atingidos: o valor de LDL-colesterol foi de 142 mg/dl, acompanhado por benefício clínico substancial, e a redução de eventos foi mais acentuada quando o LDL-colesterol diminuiu 24% (não houve maiores benefícios na presença de maiores reduções de LDL-colesterol).
AFCAPS/TexCAPS
O Estudo do Texas (AFCAPS/TexCAPS — "Air Force/Texas Coronary Atherosclerosis Prevention Study") foi o primeiro estudo duplo-cego, randomizado, a demonstrar a redução do risco de eventos coronários em homens (n = 5.608, 45 a 73 anos) e em mulheres (n = 997, 55 a 73 anos) com níveis sanguíneos de colesterolemia total e LDL-colesterol discretamente elevados (180 a 264 mg/dl e 130 a 190 mg/dl, respectivamente) e baixos de HDL-colesterol (inferiores a 45 mg/dl para os homens ou a 47 mg/dl para as mulheres). O grupo submetido a terapêutica com lovastatina (20-40 mg/dia) associada a dieta (fase I da "American Heart Association"), após 5 anos, exibiu, em relação ao placebo, redução de 37% do primeiro evento coronário, de 35% do primeiro infarto do miocárdio, de 40% de infarto do miocárdio fatal e não-fatal, de 32% de angina instável, e de 33% da necessidade de procedimentos de revascularização. Esses benefícios se fizeram sentir nos subgrupos de mulheres, de maior faixa etária (homens com mais de 57 anos e mulheres com mais de 62 anos), de hipertensos, de diabéticos e daqueles com antecedentes familiares de doença aterosclerótica coronária e também com diferentes taxas basais de LDL-colesterol (< 142, 143-156, > 157 mg/dl) e de HDL-colesterol (< 34, 35-39, > 40 mg/dl). Considerando os eventos coronários maiores (angina instável, infarto do miocárdio fatal e não-fatal, morte súbita), a redução do risco foi notada desde o primeiro ano de tratamento (43%, acompanhando diminuição de 25% de LDL-colesterol) e persistiu durante o estudo (30%, 41% e 49% no terceiro, quarto e quinto anos, respectivamente). Não ocorreram diferenças entre os grupos considerando a mortalidade total (tratados, 80 mortes; placebo, 77 mortes) e o aparecimento de neoplasias malignas. Os resultados dessa investigação permitiram inferir que, se 1.000 homens e mulheres fossem tratados com lovastatina, aproximadamente 19 eventos coronários maiores (12 infartos do miocárdio e 7 episódios de angina instável) e 17 procedimentos de revascularização miocárdica poderiam ser evitados. Também foi obtida redução de 28% dos custos com hospitalização. Essa investigação sinaliza de modo importante para a necessidade de orientação terapêutica em indivíduos com distúrbios lipídicos moderados.
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Dislipidemias - Principais Estudos de Prevenção Primária |
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Último update: 01/05/2009 1º Edição deste capítulo: outubro de 2001 |
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