Hipercolesteloremia

 

                 A terapia primaria para dislipidemia é dietética. A redução do consumo de colesterol e de gordura saturada é parte de uma modificação no estilo de vida que inclui perda de peso, quando necessário e atividades físicas.Os efeitos sinérgicos das modificações do estilo de vida são benéficos na redução da doença coronariana não apenas por melhorar o perfil lipídico mas por reduzir a PA e a tolerância a glicose.

                 Os níveis desejáveis para prevenção primária e secundária são listados abaixo.

A dieta fase I é recomendada para todos os casos de prevenção primária como primeira medida. A dieta fase II é recomendada para a prevenção secundária ou para os casos de prevenção primária que não respondam após 3 meses da dieta fase I.

Nutriente

Dieta fase I

Dieta fase II

Gordura total

<= 30% do total de calorias

 

Gordura saturada

    8~10% do total calórico

< 7% do total calórico

Gordura mono insaturada

< 15% do total de calorias

 

Gordura poli insaturada

< 10% do total de calorias

 

Colesterol

      < 300 mg/dia

< 200 mg/dia

Carbohidratos

>= 55% do total de calorias

 

Proteínas

~ 15% do total de calorias

 

                 O tratamento farmacológico deve ser instituído se após 6 meses de dieta não houver resultados. Nos casos de hipercolesterolemia muito importante ou na prevenção secundária da DAC o tratamento farmacológico deve ser instituído de imediato.

             Hipertrigliceridemia

 

                 O tratamento primário da hipertrigliceridemia é a modificação do estilo de vida, que inclui o controle do peso, dieta pobre em gordura saturada e colesterol, exercícios regulares, não fumar e, em alguns pacientes, restrição ao uso de bebidas alcoólicas. A hipertrigliceridemia normalmente acompanha a obesidade, sedentarismo e intolerância a glicose. O tratamento farmacológico estará indicado nos casos de doença coronariana, história familiar de DAC precoce, hipercolesterolemia concomitante com HDL baixo ou hipertrigliceridemia por alteração genética que reconhecidamente leve a um risco aumentado de DAC como na disbetalipoproteinemia e na hiperlipidemia familial combinada.

Dislipidemias - Tratamento não farmacológico

Último update: 01/05/2009

1º Edição deste capítulo: outubro de 2001

Manuais de Cardiologia         

Temas comuns da Cardiologia para médicos de todas as especialidades

Livro virtual -  Dr. Reinaldo Mano

This website is certified by Health On the Net Foundation. Click to verify. This site complies to the HONcode standard for trustworthy health information: verify here.

                 Alimentos de origem vegetal

 

                 As fibras vegetais são carboidratos complexos classificados de acordo com sua solubilidade, em solúveis e insolúveis. As fibras solúveis são representadas pela pectina (frutas) e pelas gomas (aveia, cevada e leguminosas: feijão, grão de bico, lentilha e ervilha). Estas fibras reduzem o tempo de trânsito gastrointestinal e a absorção enteral do colesterol. O farelo de aveia é o alimento mais rico em fibras solúveis e pode, portanto, diminuir moderadamente o colesterol sangüíneo. As fibras insolúveis não atuam sobre a colesterolemia, mas aumentam a saciedade, auxiliando na redução da ingestão calórica. São representadas pela celulose (trigo), hemicelulose (grãos) e lignina (hortaliças). A  recomendação de ingestão de fibra alimentar total para adultos é de 20 a 30 g/dia, 5 a 10g destas devendo ser solúveis, como medida adicional para a redução do colesterol.

                 Os fitosteróis são encontrados apenas nos vegetais e desempenham funções estruturais análogas ao colesterol em tecidos animais. O β-sitosterol, extraído dos óleos vegetais é o principal fitosterol encontrado nos alimentos. Reduzem a colesterolemia por competirem com a absorção do colesterol da luz intestinal. Uma dieta balanceada com quantidades adequadas de vegetais fornece aproximadamente 200 a 400mg de fitosteróis e os níveis plasmáticos variam de 0,3 a 1,7 mg/dL. No entanto, é necessária a ingestão de 2 g/dia de fitosteróis para a redução média de 10-15% do LDL-C. Os fitosteróis não influenciam os níveis plasmáticos de HDL-C e de triglicérides. A ingestão de 3 a 4 g/dia de fitosteróis pode ser utilizada como adjuvante ao tratamento hipolipemiante.

                 A ingestão de proteína da soja (25 gramas /dia) pode reduzir o colesterol plasmático (-6% do LDL-C) e, portanto, pode ser considerada como auxiliar no tratamento da hipercolesterolemia (grau de recomendação IIa, nível de evidência B). Os dados disponíveis são contraditórios quanto aos efeitos sobre os TG e HDL-C. Estudos com maiores casuísticas e delineamentos mais específicos a esta questão serão necessários. As principais fontes de soja na alimentação são: feijão de soja, óleo de soja, queijo de soja (tofu), molho de soja (shoyo), farinha de soja, leite de soja e o concentrado protéico da soja. Este concentrado exclui a presença de gorduras, mantendo carboidratos e 75% da sua composição em proteínas e é amplamente utilizado como base de alimentos liofilizados e como “suplemento protéico”.

                 Os antioxidantes, dentre eles os flavonóides, presentes na dieta podem potencialmente estar envolvidos na prevenção da aterosclerose por inibirem a oxidação das LDL, diminuindo sua aterogenicidade e, conseqüentemente, o risco de doença arterial coronária. Os flavonóides são antioxidantes polifenólicos encontrados nos alimentos, principalmente nas verduras, frutas (cereja, amora, uva, morango, jabuticaba), grãos, sementes, castanhas, condimentos e ervas e também em bebidas como vinho, suco de uva e chá. Não há estudos randomizados, controlados e com número suficiente de pacientes que demonstrem a prevenção de eventos clínicos relacionados à aterosclerose com suplementações com antioxidantes como, por exemplo, as vitaminas E, C ou beta-caroteno. Não há evidência de que suplementos de vitaminas antioxidantes previnam manifestações clínicas da aterosclerose, portanto esses não são recomendados. Alimentação rica em frutas e vegetais diversificados fornece doses apropriadas de substâncias antioxidantes, que  certamente contribuirão para a manutenção da saúde.

 

                 Atividade física

 

                 A atividade física regular constitui medida auxiliar para o controle das dislipidemias e tratamento da doença arterial coronária. A prática de exercícios físicos aeróbios promove redução dos

níveis plasmáticos de TG, aumento dos níveis de HDL-C, porém sem alterações significativas sobre as concentrações de LDL-C.

 

 

 

Risco

LDL colesterol

 

 

Indicação do tratamento

Objetivo

Sem doença coronária, nenhum ou 1 fator de risco

> 160

< 160

Sem doença coronária, 2 ou mais fatores de risco

> 130

< 130

Doença coronária ou outra doença aterosclerótica - prevenção secundária

> 100

< 100